UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO DEPARTAMENTO DE APOIO À PESQUISA PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA PIB-S/0041/2013 CONSUMO DE RISCO DE ÁLCOOL ENTRE IDOSOS NAS ESTRATÉGIA DA FAMÍLIA DA ZONA SUL DA CIDADE DE MANAUS Bolsista: Luis Ronaldo de Souza Silva, FAPEAM MANAUS 2014 UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO DEPARTAMENTO DE APOIO À PESQUISA PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA RELATÓRIO FINAL PIB-S/0041/2013 CONSUMO DE RISCO DE ÁLCOOL ENTRE IDOSOS NAS ESTRATÉGIA DA FAMÍLIA DA CIDADE DE MANAUS Bolsista: Luis Ronaldo de Souza Silva Orientadora: Profª Drª Ana Cyra dos Santos Lucas MANAUS 2014 RESUMO Introdução: O número de idosos no Brasil tem aumentado e as mudanças decorrentes dessas fases da vida, como a aposentadoria, perda de amigos, solidão e isolamento social, podem deixar o idoso mais propenso a hábitos como o consumo abusivo de álcool. Objetivo: Identificar o consumo de risco de álcool entre os idosos cadastrados na área de abrangência das Estratégias Saúde da Família (ESF) da cidade de Manaus-AM. Método: Estudo transversal descritivo-observacional. A amostra foi obtida por conglomerado (zonas da cidade) com sorteio em duas etapas: ESF por zona (10%) e indivíduos. Foram aplicados 317 questionários, de novembro/2013 a fevereiro/2014, abordando sobre aspectos socioeconômicos e saúde, juntamente com o AUDIT, instrumento de triagem para o consumo de risco de álcool, as condições cognitivas dos idosos foram avaliadas pelo teste de fluência verbal categoria animais. Os dados foram submetidos à crítica e inseridos em planilha de banco de dados e analisados com programa estatístico R versão 3.1.0. O escore 8 foi adotado no AUDIT para identificação do risco existente de consumo prejudicial de álcool. Resultados: Dos 317 idosos pesquisados, a maioria 64,04% era do sexo feminino, entre 60 e 59 anos (49,21%), casado ou com companheiro (46,06%), católico (57,10%), não fumante (63,09%), sabia ler (79,50%) e considerava a saúde razoável (54,89%). Somente 19,24% praticava exercícios, 12,93% moravam sozinhos e 39,12% relataram que tinham a ajuda dos filhos para o cuidado com a saúde. A classe socioeconômica mais frequente foi C1 (37,22%). Relataram possuir plano de saúde particular 4,42% e buscar atendimento médico no SUS 93,36%. Quanto ao uso de álcool, 29.02% consumiam mensalmente ou menos, principalmente cerveja (19,24%), ingerindo de 2 a 3 doses por vez (52,75%). Quanto ao nível de risco, segundo escore obtido no AUDIT, foram identificados 86,12% em baixo risco, 10,73% em risco existente, 2,84% em risco moderado e 0,32% em risco elevado. Foram encaminhados para a ESF 3,16% dos idosos para acompanhamento continuo e avaliação diagnostica adicional no caso de suspeita de dependência do álcool. Conclusão: O resultado demonstrou a utilidade da aplicação do AUDIT como ferramenta de rastreio de idosos com uso de risco de álcool, importante para a prevenção e início do tratamento dos mesmos na atenção básica. Palavras-chaves: AUDIT, Álcool, Idosos. SUMÁRIO Sumário 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 5 2. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................. 6 3. OBJETIVOS .......................................................................................................... 9 4. METODOLOGIA ................................................................................................... 9 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................... 11 6. CONCLUSÃO ..................................................................................................... 16 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 17 5 1. INTRODUÇÃO No Brasil o número de pessoas idosas tem aumentado algo comum para países em desenvolvimento que diminuíram a sua mortalidade, a sua taxa de fecundidade e aumentou a sua expectativa de vida (MENDES, 2005). Isso pode ser percebido pelos dados obtidos no censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2010 que apresentou um crescimento da população idosa de 9,1% para 11,3%. Com o processo de envelhecimento do individuo mais as mudanças decorrentes dessa fase da vida, como a aposentadoria, perda de amigos, solidão e isolamento social, pode deixar o idoso mais propenso a hábitos como o consumo abusivo de álcool (SENGER, 2009). Os problemas decorrentes do uso de álcool (compreendendo abuso e dependência) são bem conhecidos e descritos na literatura, havendo consequências de ordens socioeconômica, orgânica (cardiopatias, neuropatias, doença hepática e neoplasias, dentre outras) e psíquica (como ansiedade, depressão, violência e até suicídio) (PAZ FILHO, 2001). Uma forma de identificar o abuso de álcool é através de questionário padronizado como o AUDIT (Alcohol Use Disorder Identification Test) foi desenvolvido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) no final da década de 80 (WHO, 2001). 2. REVISÃO DA LITERATURA 2.1 ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA O envelhecimento é um processo natural que caracteriza uma etapa da vida do homem e dá-se por mudanças físicas, psicológicas e sociais que acometem de forma particular cada indivíduo com sobrevida prolongada (MENDES, 2005). Esse homem será considerado uma pessoa idosa, pela OMS, quando alcançar a idade de 65 anos ou mais, para países desenvolvidos, e 60 anos ou mais para países em desenvolvimento, como o Brasil. (MENDES, 2005) Nos últimos anos o Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, tem passado por um envelhecimento da sua população causada pelo declínio da taxa de fecundidade, diminuição da mortalidade e aumento da expectativa de vida (MENDES, 2005). Se essa taxa continuar essa tendência estima-se que para os próximos 20 anos a população idosa poderá exceder 30 milhões de pessoas chegando a representar quase 13% da população. (IBGE, 2002) Segundo o IBGE no censo de 2000 o número de pessoas com 60 anos ou mais era de 14.536.029 contra 10.722.705 em 1991 e a quantidade de idoso para cada criança era de 16 para 100, respectivamente, em 1980 e aumentou para 30 idosos por 100 crianças no ano de 2000. A população idosa brasileira quando comparado com outros países da América latina encontra-se em posição intermediária ficando a frente de Peru, Colômbia e Venezuela, e atrás de Argentina e Uruguai (IBGE, 2002). Ao chegar numa fase da vida mais avançada maiores são as chances de contrair uma doença crônica. Por exemplo, no Brasil a pesquisa feita pelo IBGE no censo de 2010 demostrou que dos entrevistados somente 22,6% das pessoas de 60 anos ou mais de idade declararam não possuir doenças e essa porcentagem cai para 19,7% para aqueles com 75 anos ou mais de idade (IBGE, 2010). 2.2 CONSUMO DE ÁLCOOL EM IDOSOS O consumo de bebidas alcoólicas é considerado um comportamento adaptado à maioria das culturas, sendo utilizado em celebrações e situações de negócio, entretanto o consumo excessivo torna-se um problema de saúde pública apresentando como consequências doenças cardiovasculares, neoplasias, acidentes de transito e elevada frequência de ocupação de leitos hospitalares. (LOPES, 2011; MASCARENHAS, 2009) Lima et. al. (2010) relatam que dos 4.352 indivíduos internados no hospital geral entrevistados 423 (9,7%) faziam uso nocivo de bebidas alcoólicas sendo desses 46 pacientes apresentavam idades maior que 63 anos. Ainda este mesmo estudo mostra que os pacientes que faziam uso nocivo de bebidas alcoólicas 8% tinham histórico de tentativa de suicídio. A população idosa apresenta uma maior vulnerabilidade em relação aos efeitos do álcool quando comparado com a população jovem. Uma das razões para isso se deve ao fato que os idosos atingem uma concentração alcoólica maior do que indivíduos mais jovens, para a mesma quantidade ingerida de álcool, pois a diminuição do liquido corporal, decorrente do fenômeno natural do envelhecimento, causa uma diminuição da diluição do álcool no sangue. (CASTILLO, 2008) Isto significa que muito embora os idosos consigam metabolizar e eliminar o álcool de modo eficaz, eles apresentam um maior risco de intoxicação e efeitos adversos pelo álcool. Além disso, idosos alcoolistas se recuperam menos dos déficits cognitivos do que os adultos, sendo que o uso crônico, também, pode acelerar o desenvolvimento de instabilidade postural e quedas relacionadas à idade (CASTILLO, 2008; SILVA, 2008). Os idosos que fazem uso de bebidas alcoólicas são possíveis classificar em dois grupos em função do momento em que começam a consumir o álcool: os que tiveram um inicio precoce, entre 20 e 30 anos, e os que tiveram inicio tardio, entre 40 e 50 anos. Os indivíduos com 60 anos ou mais que começaram a beber precocemente tendem a ter os efeitos do alcoolismo mais graves e estão mais associados com mais complicações psicopatológicos, histórico familiar de alcoolismo e problemas sociais, enquanto que os idosos que começaram tardiamente o uso de bebidas alcoólicas são associados à existência de eventos estressantes da vida como perdas familiares, aposentadoria, divorcio e aparecimento de novas doenças (KANO, 2011). Um importante fator evidenciado nas pesquisas realizadas são os fatores sociodemograficos mais comum relacionado ao consumo de álcool entre os idosos: isolamento social, estado civil e o sexo masculino (PILLON, 2010). Este ultimo fator pode ser exemplificado nas pesquisas feita por LIMA (2009) onde a prevalência do usuários masculino foi de 19,8% a mais que o feminino, ALMEIDA-FILHO 2001 identificou que 71% do gênero masculino faziam uso de álcool e apenas 42,2% do gênero feminino faziam uso de álcool na Bahia. Uma das formas de identificar um individuo que faz uso abusivo de bebidas alcoólicas, além da anamnese, é a utilização de questionários, como o AUDIT. O teste AUDIT foi desenvolvido pela OMS no final da década de 80 como um método simples de triagem para consumo excessivo de álcool. Hoje devido a sua rápida e fácil aplicação e a possibilidade de guiar o profissional ao tipo de intervenção que deve ser realizada hoje é preconizado pela instituição como instrumento de rastreamento em serviços de saúde. (SANTOS et al., 2012; WHO, 2001; MORRETI-PIRES, 2011) Esse teste é composto por dez perguntas, que abragem a frequência, a dependência e consequências negativas do consumo de alcool, e de acordo com a pontuação obtida é possivel classificar o individuo da seguinte forma: zona I (uso de baixo risco ou abstinencia, que provavelmente nao levará a problemas), zona II (uso de risco, que poderá levar a problema), zona III (uso nocivo, que provavelmente ja tenha levado a problemas) e zona IV (provavel depêndencia). (MORRETI-PIRES, 2011; SANTOS et al., 2012) 3. OBJETIVOS OBJETIVO GERAL Identificar o consumo de risco de álcool entre os idosos cadastrados na área de abrangência das Estratégias Saúde da Família de Manaus, AM. OBJETIVOS ESPECÍFICOS  Descrever o perfil socioeconômico dos idosos em estudo.  Determinar a frequência de consumo de álcool, sintomas de dependência e consequências pessoais e sociais derivadas do uso nos idosos.  Classificar os consumidores de risco em zonas de baixo risco, risco existente, risco moderado e risco elevado, segundo os critérios do AUDIT. 4. METODOLOGIA Este trabalho foi um estudo transversal do tipo descritivo-observacional, com idosos cadastrados nas áreas de abrangência das Estratégias Saúde da Família (ESF), na zona sul da cidade de Manaus (Amazonas). Foi estabelecida uma amostra de 295 sujeitos, número calculado com base no número de idosos cadastrados na cidade de Manaus na ESF (52.446 idosos), usando como prevalência de referência 3,2% para o “padrão de consumo de álcool por dia de 5 ou mais doses”, obtido na pesquisa entre idosos de Lima et. al. (2009), e, considerando uma perda de 10%, foi ampliada para 325. A amostragem foi por conglomerado (zona) com sorteio em uma etapa (10% das ESF da zona). A amostra foi distribuída proporcionalmente ao tamanho da população de idosos atendidos por zona, resultando em 51 sujeitos na zona leste, 42 na zona norte, 96 na zona oeste e 135 na zona sul. Os questionários foram aplicados no período de quatro meses, e abordando aspectos socioeconômicos e relacionados à saúde juntamente com o instrumento de triagem - AUDIT – para o risco de consumo prejudicial de álcool, desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os idosos para participarem da pesquisa deveriam estar dentro dos critérios de inclusão (ter idade maior ou igual a 60 anos, residir na área descrita da ESF, estar cadastrado na ESF, concordar voluntariamente em participar da pesquisa e assinar e/ou por impressão datiloscópica no TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) e no ato da entrevista ter condições cognitivas para responder os questionamentos (critério de exclusão). Os idosos foram sorteados e sensibilizados inicialmente pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da ESF, os quais realizaram o primeiro contato com os mesmos, por meio de visita nos domicílios, e em seguida era apresentado o pesquisador que explicava o projeto e fazia o convite para participar. Após o participante aceitar o convite para o estudo, seguia-se o esclarecimento da pesquisa e solicitação da assinatura no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Era realizado, então, o teste de avaliação de cognição pelo método do Teste da Fluência Verbal – TFV (LIMA et al., 2007). Esse teste consiste em solicitar do entrevistado que cite o máximo de animais que conseguir lembrar num prazo de um minuto. Os pontos de cortes são de até 9 animais/minuto para quem tem até 8 anos de escolaridade, e 13 animais/minuto para quem têm acima de 8 anos de escolaridade. Em seguida, dava-se início à entrevista, enfatizando que não havia respostas certas ou erradas e garantindo o sigilo das informações. Foram realizadas visitas com até três tentativas, em horários diferentes. Após este número de tentativas e ocorrendo insucesso no acolhimento dos moradores, considerou-se a unidade amostral como perda. Para a classificação do idoso, segundo sua pontuação no AUDIT utilizou-se zona I (escore 1-5), zona II (escore 6-15), zona III (escore 16-19) e zona IV (escore 20-40). Depois, com os dados coletados, foi montado um banco de dados na planilha Microsoft Excel 2010® e este analisado no programa estatístico R versão 3.1.0. Os dados pertinentes ao perfil do indivíduo, os aspectos relacionados à saúde e os que caracterizam o risco do consumo de álcool foram conduzidos em análises univariadas (para descrição das variáveis) e bivariadas (verificando a associação entre as características dos indivíduos e a sua classificação nas zonas de risco do AUDIT), usando-se o teste do χ2, e para tabela 2 X 2, o teste Exato de Fisher ou razão de verossimilhança. 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram realizadas 317 entrevistas com idosos pertencentes à estratégia saúde da família na cidade de Manaus, número superior ao mínimo de sujeitos exigidos (295), dos quais 63,05% eram mulheres e 35,96% homens, sendo que a maioria dos idosos pertenciam a faixa etária entre 60-69 anos (49,21%), seguido da faixa etária entre 70-79 anos (35,96%). A maior porcentagem de mulheres no resultado está de acordo com outras literaturas (LIMA-COSTA, 2004; FLORES, 2005; MIRAND, 1996) demostrando o predomínio delas ao se fazer uma pesquisa epidemiológica nessa fase da vida e a maior preocupação da mulher com a saúde e sua procura pelos serviços de saúde. Em relação ao estado civil, 46,06% declararam-se casados/companheiros, 7,89% divorciados/desquitados, 13,56% solteiros e 32,49% viúvos. No quesito religião, 57,10% afirmaram ser católicos e 34,38% evangélicos. Em relação ao habito de fumar, 63,09% responderam não ser fumantes, 27,76% que pararam de fumar, 5,36% que fumam frequentemente e 3,79% que fumam raramente. Quanto à cor da pele, 63,41% dos idosos declararam ser pardos, 79,50% responderam saber ler. A maioria dos entrevistados pertencia a classe C1 (37,22%) e C2 (23,97%). Em relação a trabalho remunerado, 76,97% dos idosos declararam não possuir, 65,93% afirmaram ser aposentados e 68,77% não receber benefício do governo (Tabela 1). Ao perguntar aos idosos como eles consideravam a sua saúde 54,89% responderam serem razoáveis, 20,82% disseram serem boa e 15,77% responderam serem ruim. Em Lima- Costa et al. (2004) que realizou uma pesquisa na cidade de Bambuí, no estado de Minas Gerais, os idosos autoavaliaram a sua saúde e o resultado foi condizente com o dessa pesquisa: 49,2% avaliaram ser razoável a sua saúde, 24,7% avaliou ser boa/muito boa e 26,1% avaliaram ser ruim/muito ruim. Na pergunta se eles praticam exercício e se ficaram hospitalizados nos últimos 12 meses, a maioria respondeu que não, 72,34% e 80,76% respectivamente. Dos 317 entrevistados, 303 (95,58%) não possuíam plano de saúde particular, sendo que 297 idosos tem a unidade do SUS como meio de conseguir atendimento médico. Em relação à frequência do uso de bebidas alcoólicas a maioria dos idosos (59,94%) nunca fazem uso de álcool, entretanto 29,02% bebem mensalmente ou menos, 6,95% consomem álcool de 2 a 3 vezes por mês, 3,78% bebem de 2 a 3 vezes por semanas e 0,31% consomem álcool 4 ou mais vezes por semana. Entre às doses tomadas, 11,81% dos idosos entrevistados beberam de 0 a 1, 52,75% bebiam de 2 a 3 doses, 25,98% bebiam de 4 a 5 doses, 7,87% bebiam de 6 a 7 doses e 1,57% bebiam 8 ou mais doses. Características Total Resultado da Classificação do AUDIT n % Zona I Zona II Zona III Zona IV p n % n % n % n % Sexo <0,001 F 203 64,04 191 94,10 12 5,90 0 0 0 0 M 114 35,96 57 50,00 47 41,20 9 7,90 1 0,90 Idade 0,438 60-69 156 49,21 114 73,08 34 21,79 7 4,49 1 0,64 70-79 114 35,96 94 82,45 19 16,67 1 0,88 0 0 80-89 44 13,88 37 84,09 6 13,64 1 2,27 0 0 90+ 3 0,95 3 100,00 0 0 0 0 0 0 Estado Civil 0,003 Casado/companheiro 146 46,06 101 69,18 39 26,71 6 4,11 0 0 Desquitado/divorciado 25 7,89 18 72 7 28 0 0 0 0 Solteiro 43 13,56 36 83,72 5 11,63 1 2,32 1 2,32 Viúvo 103 32,49 93 90,29 8 7,77 2 1,94 0 0 Critério Brasil 0,361 B1 9 2,84 8 88,89 1 11,11 0 0 0 0 B2 27 8,52 25 92,59 2 7,41 0 0 0 0 C1 118 37,22 91 77,12 23 19,49 4 3,39 0 0 C2 76 23,97 62 81,58 14 18,42 0 0 0 0 D 84 26,50 60 71,43 18 21,43 5 5,95 1 1,19 E 3 0,95 2 66,67 1 33,33 0 0 0 0 Religião 0,094 Católica 181 57,10 142 78,45 31 17,13 7 3,87 1 0,55 Espírita 11 3,47 10 90,90 1 9,10 0 0 0 0 Evangélica 109 34,38 87 79,82 22 20,18 0 0 0 0 Outros 16 5,05 9 56,25 5 31,25 2 12,50 0 0 Fuma 0.074 Não 200 63,09 177 88,50 21 10,50 2 1,00 0 0 Parei 88 27,76 72 81,82 10 11,36 6 6,82 0 0 Sim/frequentemente 17 5,36 15 88,24 1 5,88 0 0 1 5,88 Sim/raramente 12 3,79 9 75,00 2 16,67 1 8,33 0 0 Sabe ler 0,924 Não 65 20,50 56 86,15 7 10,77 2 3,08 0 0 Sim 252 79,50 217 86,11 27 10,71 7 2,78 1 0,40 Cor da Pele 0,989 Asiático 2 0,63 2 100,0 0 0 0 0 0 0 Branco 56 17,67 47 83,93 7 12,50 2 3,57 0 0 Índio 18 5,68 17 94,44 1 5,56 0 0 0 0 Negro 40 12,62 34 85,00 5 12,50 1 2,50 0 0 Pardo 201 63,41 173 86,07 21 10,45 6 2,99 1 0,50 Tabela 1: Características socioeconômicas dos idosos entrevistados Fonte: pesquisa de campo Barros et. al. (2008) em uma pesquisa feita no município de Campinas, estado de São Paulo, obteve que 58% dos idosos de 60 anos ou mais nunca consumia álcool, 18,1% consumia mensalmente ou menos, 13,1% consumia de 2 a 3 vezes ao mês, 4,7% consumia de 2 a 3 vezes por semana e 6,1% consumia 4 ou mais vezes por semana. Ao comparar essas duas frequências de uso percebesse o menor consumo dos manauaras em utilização de 2 ou mais vezes no mês e na semana, principalmente quando o consumo é de 4 vezes ou mais, entretanto apresenta um consumo mensal (uma vez ao mês) maior que os idosos de campinas. Quando comparado também com os resultados do Laranjeiras et. al. (2007) (o qual encontrou que 68% nunca consumiu ou consome menos de uma vez ao ano, 8% bebem menos de 1 vez ao mês, 10% bebem de um a três vezes no mês, 8% bebem de 1 a 4 vezes na semana e 7% bebem todos os dias) no I levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira fica evidente o baixo consumo dos idosos da USF em relação a frequência nacional de consumo dos idosos. Do total de idosos 127 (40,06%), indicaram algum sintoma de dependência: “não conseguir para de beber uma vez começado” (16,53%), “não conseguir fazer o que era esperado” (27,56%), “beber pela manhã para sentir-se melhor” (26,77%), “sentir culpa depois de beber” (44,09%) e “incapacidade de lembrar o que aconteceu” (26,77%). Em relação às consequências pessoais 12,67% apresentaram “causar ferimentos a ele ou a outra pessoa após ter bebido” e 16,78% “preocupação de outras pessoas com o fato dele beber”. Os 317 idosos entrevistados foram classificados, segundo o critério do AUDIT, quanto ao risco do consumo de álcool: 273 (86,12%) foram classificados na zona I, 34 (10,73%) na zona II, 9 (2,84%) na zona III e 1 (0,32%) na zona IV. Sendo encontrada associação significativa das zonas do AUDIT com sexo (p < 0,001) e estado civil (p=0,003), sendo que os níveis de maior consumo foram encontrados majoritariamente entre os solteiros e o sexo masculino. Pesquisas com idosos para classificação de risco de consumo de álcool são bem escassos tanto nacionalmente quanto internacionalmente, dificultando comparações com outros trabalhos. Os artigos encontrados envolvem, na sua maioria, adultos dando uma classificação da zona de risco de uma forma geral, como por exemplo, Taufick et al (2014) e Salcedo et. al. (2009). Um resultado encontrado por Ganesh et. al. (2013) em uma pesquisa realizada em uma área rural de Tamil Nadu, Índia, que incluía adultos e idosos obteve 60,7% classificados como zona I, 24,7% como zona 2, 10,1% como zona III e 4,5% como zona IV. Em Freitas e Moraes (2011), com estudo realizado na cidade de Ribeirão Preto, a zona de risco mais encontrada para idosos foi de 89,53% para zona I, 9,45% para zona II, 0,50% para zona III e 0,52 para zona IV. Os idosos manauaras apresentam em sua maioria baixo risco de consumo (zona I) seguido de risco moderado (zona III) e elevado (zona IV) ao contrário dos idosos indianos que apresentaram prevalências maiores em risco moderado e elevado, e com resultados parecidos aos idosos de Ribeirão Preto, Brasil, pois ambos possuem predominantemente idosos com baixo risco de consumo de álcool. Os idosos que participaram do estudo e foram classificados na zona II receberam orientação básica preventiva ao uso de álcool, enquanto aqueles classificados a partir da zona III receberam um encaminhamento para comparecer ao serviço médico da unidade de saúde da família para avaliação diagnóstica e possível tratamento para a dependência de álcool, conforme preconiza a aplicação do AUDIT. 6. CONCLUSÃO O uso do AUDIT como instrumento de detecção de idosos que fazem uso de álcool mostrou ser efetivo para uso na atenção básica, permitindo classificá-los segundo o risco do consumo de álcool e orientá-los quanto à necessidade de intervenção sobre este uso. Sendo assim, essa ferramenta é de grande importância na busca ativa para prevenção e início do tratamento dos idosos na atenção básica, em relação ao consumo prejudicial de bebidas alcoólicas. REFERÊNCIAS ALMEIDA-FILHO, N.; LESSA, I.; MAGALHÃES, L.; ARAUJO, M.J.; AQUINO, E.; KAWACHI, I.; JAMES, S. A. 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